De Erro em Erro! Comentário ao artigo de Mario Sergio Conti publicado na Folha de São Paulo dia 10-11-2018

De Erro em Erro!

Comentário ao artigo “Gentileza gera gentileza” de Mario Sergio Conti Publicado na Folha de São Paulo dia 10-11-2018.

No dever de Católico Apostólico Romano, rogo o direito em defender a fé católica, frente a algumas falsas afirmações publicadas por Mario Sergio Conti em seu artigo “Gentileza gera gentileza”. Vale ressaltar que meu comentário não tem por objetivo refutar o artigo em sua totalidade, pois o autor em geral, apresenta suas opiniões pessoais. No entanto algumas delas, de forma sofista, fundamentadas em inverdades acerca da fé católica. Me dirijo especialmente aos católicos e aos irmãos protestantes que desejam conhecer um pouco mais da Doutrina da Igreja com a missão de apagar de vez o “espantalho” que acreditam ser a Igreja Católica.

A seguir apresento o artigo (em azul) e meus comentários.

Artigo:

Gentileza gera Gentileza: Por Mario Sergio Conti

Como o comércio já começou a bombar o Natal, e como um novo mandachuva tomará posse em Brasília em seguida, o cordão dos áulicos, que cada vez aumenta mais, matuta: o que dar de presente a um matuto que tem tudo?

Ele já tem AR-15, Kalashnikov e Glock G45, para não falar em altivez, tirocínio, elegância, modéstia, descortino –o pacote de altaneiras virtudes que, numa divina coincidência, emanam de todos os inquilinos pregressos e vindouros do Alvorada. Como adulá-lo?

O presente de Natal é imprescindível a quem queira influenciar pessoas poderosas, a começar pelo, como se diz no jargão brasiliense, supremo mandatário. A sabujice é uma arte, ainda mais nesses tempos de toma lá dá cá criminalizado: gentileza gera gentileza, dizia o profeta.

Logo no início o proposito do autor com o artigo revela-se com a perspectiva de o atual Presidente Eleito Jair Bolsonaro, cujo cargo tomará posse somente em 1 de janeiro de 2019, cumprir com determinação uma das principais propostas de seu governo, a meu ver a mais desafiadora de não aceitar o famoso “TOMA-LA-DA-CA”. Então, como “disfarçar” a troca de favores aproveitando o período de Natal e presentear “sem segundas intenções”? Algo que faça o Presidente de 2019-2022 lembrar do “mimo” oferecido e como sugere o autor, influenciar nas decisões futuras. Mas o “Matuto que tem tudo”, segundo Conti, mereceu uma lista de armas. Porque? Porque destacar a característica militar? A sabujice é uma arte? Jesus nos exorta em Lucas “dar sem esperar receber em troca”.  Mas não parece ser o objetivo do artigo, continua ele:

Pois os seus problemas acabaram, minha gentil gerente de relações institucionais de um grande banco. O mimo tiro e queda é a edição fac-similar “The Luther Bible of 1534″ (Taschen, 1.888 págs.).

São dois volumes com o Velho e o Novo Testamento, traduzidos para o alemão por Lutero, além de um livreto introdutório, em inglês, de 96 páginas. O conjunto vem numa caixa flamejante: do alto do Éden, o Altíssimo, em trajes de gala, abençoa Eva, Adão e toda a bicharada, inclusive a serpente.

Sai por R$ 210 nos bons sites do ramo. Vale cada centavo. Não só porque, posto numa estante no Planalto, o livraço atrairá olhares pasmos, quando não cobiçosos. A Bíblia de Lutero é testemunha rediviva de uma revolução religiosa, tecnológica e literária na Alemanha do século 16.

A Bíblia, ainda que incompleta, seria mais uma “arma” para a coleção? Me causa estranheza relacionar a Sagrada Escritura, com uma lista de armas. Ou a arma mais adequada para combater o mal no mundo seja realmente a Palavra de Deus que é Cristo Jesus? Longe do autor querer aparentar um tom militarista, seria esse então, um viés pacifista? Afinal, o medo da esquerda no Brasil sempre foi a postura de combate a ideologia marxista de Bolsonaro, discursada com veemência e assumida como missão de guerra.

O católico obediente é um soldado do bom combate, como afirma São Paulo. Vale lembrar (e o autor também o faz mais adiante) que Jair Bolsonaro se declara católico e sua esposa Evangélica. Catolicismo não é pacifismo.

A Igreja Católica passava por uma crise fiscal. Para construir a Basílica de São Pedro e para sustentar palácios e concubinas dos cardeais, o Vaticano endividara-se e pagava juros babilônicos a banqueiros. Como não havia aposentadorias a arrochar, o que fazer?

As faltas e falhas dos filhos da Igreja nunca podem ser confundidas com a Infalibilidade (Mt 16:18) da Igreja que é o corpo místico de Cristo, onde Cristo é a cabeça desse corpo, como nos diz Paulo em sua carta aos Coríntios cap. 12. Misturadas as referencias históricas, doutrinarias sob influencia marxista, vemos que o Sr. Mario comete o mesmo erro de nossos irmãos protestantes. Afinal, para quem já confundiu o Felipão (técnico de Futebol) com um sósia e fez um “furo” de reportagem com a suposta entrevista, o Sr. Mario Sergio Conti de fato não conseguiria entender com facilidade o equívoco. Coloca tudo no mesmo caldeirão, relativizando (quando não joga toda fora!) a Tradição da Igreja, o Magistério instituído por Cristo e Sagrada Escritura GUARDADA por 1500 anos pela Igreja Católica. De forma irônica ele continua:

O Vaticano, safo, bolou as indulgências. A Bíblia não abonava a passagem do Inferno para o Paraíso, mas teólogos inventaram o Purgatório, popularizado por Dante. Ele propiciava a ida de pecadores ao Céu desde que pagassem indulgências ao papa e sua corte. Os banqueiros a-do-ra-ram.

Bingo! Aqui temos a principal falha na exposição do Sr. Mario Sergio Conti. Ele pinta a Igreja Católica, digo, o que ele acredita ser a Igreja Católica, de desonesta ao “inventar” o Purgatório e “Criar” as Indulgencias. Na verdade, ele se utiliza de desonestidade intelectual (proposital?) para corroborar seus argumentos subsequentes de forma sofística. A Doutrina do Purgatório, como nos ensina a Igreja em seu catecismo: “Os que morrem na graça e na amizade de Deus, mas não estão completamente purificados, embora tenham garantida sua salvação eterna, passam, após sua morte, por uma purificação, a fim de obter a santidade necessária para entrar na alegria do Céu”. A Sagrada Escritura nos apresenta também em Mateus 12:32 “Todo aquele que disser uma palavra contra o Filho do homem será perdoado, mas quem falar contra o Espírito Santo não será perdoado, nem nesta era nem na era que há de vir”. Logo o Catecismo da Igreja completa: “Ora podemos deduzir que certas faltas podem ser perdoadas podem ser perdoadas no século presente, ao passo que outras, no século futuro”.

A Tradição Católica tem como prática desde os primeiros cristãos as orações aos defuntos. Aqui faço um alerta aos que querem folhear a “COBIÇADA” versão de Lutero pois não encontrará a seguinte passagem bíblica: 2 Macabeus 12:43-46 ” …Eis por que ele pediu um sacrifício expiatório para que os mortos fossem livres de suas faltas“. São Tomas de Aquino em uma lógica matadora (ops…desculpas com o tracadilho) nos ensina sobre essa mesma passagem: “Não há motivo para rezar pelas almas que estão no céu, nem por aquelas que estão condenadas ao inferno. Portanto deve haver, após a morte, um purgatório, onde permanecem as almas dos justos que ainda não pagaram toda a dívida a justiça divina”. O Teólogo Reginald Garrigou Lagrange em seu livro “O Homem e a Eternidade” faz uma detalhada demonstração dos Pais da Igreja que defendiam a Tradição de Orar pelos mortos com relatos no século 4 onde as pessoas pediam o Refrigerium que mais tarde, na Idade Media, seria conhecido como purgatório. Santo Agostinho em seu livro “O cuidado devido aos mortos” de aproximadamente 400 d.c “A Igreja tomou pra si o encargo de orar por todos os que morreram dentro da comunhão cristã e católica”. O Sr Conti também tenta convencer que as Indulgencias são uma criação da Igreja Católica com objetivo arrecadatório apenas. Ora, o fato de que as indulgencias foram utilizadas de maneira inapropriada nao invalida sua natureza concreta quando utilizada de forma correta segundo as normas da Igreja. Segundo o Catecismo da Igreja Católica (Paragrafo 1471) “As Indulgencias estão intimamente ligadas ao Sacramento da Penitencia (Mt 18,18)”. Papa Paulo VI na sua INDULGENTIARUM DOCTRINA de 1967  “A doutrina e o uso das indulgências vigentes na Igreja Católica há vários séculos encontram sólido apoio na revelação divina…” . O autor (ignorando a historia da Igreja) continua:

Lutero, um teólogo irado de Wittenberg, vilarejo de três ruas na Saxônia, protestou contra o comércio da Salvação e, há exatos 501 anos, rompeu com o Vaticano. Criou o rebanho protestante, que hoje congrega 800 milhões de —reses contra 1,1 bilhão de católicos.

Lutero agiu, desculpas pela redundância, como protestante mesmo. Não acreditava que seria possível buscar a Santidade. Logo, como para ele era impossível ser santo, jogou fora 1500 anos de Tradição da Igreja Católica e todo o sistema sacramental, com isso, ignorando a catequese de São Paulo, Lutero de “erro em erro”, arrastou milhares para longe da Igreja Una Santa Católica Apostólica Romana. Daniel Rops, da Real Academia de Letras francesa, em seu Livro “Que é a Bíblia”, nos diz: “Lutero, porém, e, ao lado dele, os demais “reformadores”, rendendo ao Livro (Bíblia) sua supremacia e repercussão, cometeram o erro inexpiável separá-lo da Tradição que lhe havia garantido o texto e contribuído para elucida-lo. Tornada. Para a homem fonte única de fé e vida espiritual, oferecia a Bíblia o meio de se prescindir da Igreja, de sua organização social, da Tradição e da Hierarquia”. Mario Sergio prossegue:

Para combater a burocracia vaticana, Lutero concebeu o dogma “Sola Scriptura”. Vale o escrito, diz ele: só a Bíblia traz a palavra divina. O dogma dispensou o telemarketing do clero e, em decorrência, a igreja una. O povo crente não precisava de pai, de papa.

O objetivo de Lutero não foi combater a burocracia essencialmente, mas Lutero dispensa a Unidade da Igreja Católica, protesta contra praticas dos filhos da Igreja e joga toda a responsabilidade e autoridade da Revelação na Sola Scriptura. Mas não podemos dizer que foi uma reforma, pois Lutero saiu da Igreja. Para se reformar é preciso estar dentro da casa. Sem Pai, ficaram órfãos e sem rumo. Atualmente (aqui cabe dúvidas sobre o numero exato) 35.000 ou 9.000 (como exclamam alguns protestantes de Youtube), denominações Evangélicas espalhadas pelo mundo. Tudo nos leva a crer na incapacidade deles em compreender que a missão do Cristão é buscar a Santidade, participando do Corpo Místico de Cristo na Igreja Católica, que é extensão da humanidade de Cristo no Mundo, onde, através dos Sacramentos, nos é conferida a Graça Transformadora de Deus (Ez 36-26).

Sr Mario Sergio Conti avança contra a Autoridade da Igreja atacando o um possível “Autoritarismo”?  Talvez numa referencia temerosa, na concepção dele, ao vindouro governo de Bolsonaro.

O Vaticano concentrava a produção da Bíblia por meio da tradução autenticada para a língua eclesiástica, o latim, que circulava em cópias feitas a mão. Para acessar o Criador, a massa monoglota tinha de passar antes pela padraiada, a casta parasitária que lhe arrancava indulgências.

Num lance de hacker, Lutero traduziu a Bíblia para o alemão —levou apenas 11 semanas com o Novo Testamento. E fez com que fosse copiada por meio de uma tecnologia de ponta, inventada havia pouco por Gutenberg. Técnica e literatura se conjugaram num design audaz: o livro.

Novamente o Conti se utiliza de desonestidade intelectual. Utilizando de puro sofisma, tenta defender sua teoria com um jogo de palavras, para forçar uma situação, na qual a Igreja Católica não permitia acesso a Sagrada Escritura. Nada mais injusto, pois foi justamente o zelo da Igreja Católica através de seus monges e padres ao longo de 1500 anos que de forma manual compilou o que Lutero pôde ter em mãos para traduzir. O Renascimento Cultural Carolíngio, por exemplo, com Carlos Magno no final do Século VII-VIII, teve atuação fundamental para preservar os escritos dos primeiros séculos. Tanto que a Imprensa criada por Gutemberg, se utilizou da Bíblia como primeiro trabalho e foi largamente utilizada, facilitando a criação de copias. Nada disso seria possível sem a preservação e definição do Canon Bíblico, lista oficial dos livros que trazem a Revelação Divina, pela Igreja Católica.

Antes, foram feitas 18 traduções da Bíblia para o alemão. Nenhuma teve o impacto da de Lutero. Seu preço era salgado —o equivalente a um bezerro pelo Novo Testamento. Mas, em meados do século 16, a Bíblia protestante vendera meio milhão de exemplares. Por quê?

Alguém perguntou certa vez a Brecht qual era o livro alemão mais importante, e ele disse “você vai se surpreender: a Bíblia”. A versão de Lutero unificou e moldou o idioma, deu-lhe uma consistência concisa e grandiloquente, rica em metáforas, alegorias e sonoridade áspera.

Lutero explicou que traduzia tendo em mente a gente que ia à feira. Sua linguagem, direta e clara, é uma aluvião de aliterações. Lida em voz alta pela plebe rude, ela enchia a sala de palavras, encantava.

Para Wittgenstein, a Bíblia luterana “era forte como um velho carvalho retorcido”. Ele considerava a versão King James mais precisa, em termos teológicos. Mas o presidente a ser presenteado, que se diz simultaneamente católico e evangélico, não liga para detalhes.

Quem não sabe alemão também pode usufruir da edição da Taschen. Ela traz, numa impressão notável, as xilogravuras do ateliê de Lucas Cranach, o Velho. Não se sabe quem foi Mestre MS, o artista que as desenhou. Mas, visualmente, ele produziu uma maravilha à altura da escrita de Lutero.

*Publicado na Folha de S.Paulo

Concluo com a certeza que O Sr. Mario Sergio Conti, com a facilidade com quem entrevista um sósia, não sabe reconhecer a Verdadeira Igreja Católica. Em tempos Natalinos onde comemoramos o Nascimento do Redentor do Mundo, Jesus Cristo, aproveito para sugerir um presente que deveras irá contribuir ao fortalecimento das virtudes do Presidente Eleito Jair Bolsonaro. Sugiro o livro do ex pastor presbiteriano Dr Scoth Hahn escrito com Benjamin Wiker: Politização da Bíblia – As raízes do método histórico critico e a secularização da escritura – pela editora Quadrante 2018.

É um excelente presente para quem tem “tudo”, assim também, para quem não tem “nada” e precisa, cada vez mais, conhecer os inimigos disfarçados em seus atos interesseiros de “gentileza”.

Por Tiago Ferreira

ITE AD JOSEPH

Tiago é Católico Apostólico Romano, mantem um blog de apologética <Comunidadecatolica.wordpress.com>

Formado em Administração de Empresas, MBA em Finanças e Controladoria. Muito bem casado e com dois filhos abençoados por Deus. Leitor assíduo dos Padres Apostólicos e Doutores da Igreja Católica. Aluno do Padre Paulo Ricardo. Ministro da Sagrada Comunhão Eucarística por Chamado de Deus e Guardião do Redentor por definição própria. Tem como padroeiro São José, castíssimo esposo, da Virgem Maria Mãe de Deus tendo a Honra de ter nascido em 19 de março.

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