O BATISMO INFANTIL E AS ESCRITURAS

Por Greg Oatis
Tradução: Carlos Martins Nabeto

 Fonte: http://www.prodigos.org

É certo que a Bíblia não especifica que as crianças eram batizadas; mas tampouco indica especificamente o contrário. Como vemos em Colossenses 2,11-12, citado mais abaixo, a circuncisão foi um “tipo” do Batismo, um exemplo profético do Antigo Testamento.

 

Segundo a Lei de Moisés, os bebês deveriam ser circuncidados no oitavo dia do nascimento. É impossível concluir que o cumprimento desta regra no Novo Testamento fosse menos efetiva ou mais restritiva em sua aplicação do que o modelo exemplar do Antigo Testamento.

“O filho de oito dias, pois, será circuncidado, todo o homem nas vossas gerações; o nascido na casa, e o comprado por dinheiro a qualquer estrangeiro, que não for da tua descendência” (Gênese 17,12).

O consentimento pessoal não altera o fato de que somos propriedade de Deus. A criança é um membro privilegiado da nação santa de Deus. Jamais passou pela mente dos israelitas rejeitar semelhante bênção.

 “Porém, todo o primogênito da jumenta resgatarás com um cordeiro; e se o não resgatares, cortar-lhe-ás a cabeça; mas todo o primogênito do homem, entre teus filhos, resgatarás. E quando teu filho te perguntar no futuro, dizendo: Que é isto? Dir-lhe-ás: O SENHOR nos tirou com mão forte do Egito, da casa da servidão” (Êxodo 13,13-14).

 O fato de a criança não ter consciência de ter sido recebida na Família de Deus não exclui a sua dedicação. A exigência que Deus fazia dos primogênitos para si era absoluta, reconhecida conscientemente por nós ou não. Por acaso o resgate de toda a humanidade pelo sacrifício de Cristo seria menos peremptório ou menos válido hoje? Podemos assegurar que ele é ainda mais forte!

 “E disse-lhes Pedro: Arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo, para perdão dos pecados; e recebereis o dom do Espírito Santo; Porque a promessa vos diz respeito a vós, a vossos filhos, e a todos os que estão longe, a tantos quantos Deus nosso Senhor chamar” (Atos 2,38-39).

Este é o texto principal que a maioria dos protestantes cita para afirmar sua posição contrária ao batismo das crianças. Crêem que São Pedro estava falando doutrinariamente, sublinhando a necessidade ou exigindo absolutamente o arrependimento antes do recebimento do Batismo. Todos nós concordamos que os bebês não podem se arrepender. No entanto, é necessário ler o sermão de Pedro por completo pois, mais adiante, o Apóstolo afirma: “Porque a promessa vos diz respeito a vós, a vossos filhos, e a todos os que estão longe”. É claro, então, que a promessa do Batismo não exclui as crianças, já que aqui Pedro torna extensivo o benefício do Sacramento aos filhos. Note-se também que a frase “vossos filhos” indica que Pedro está se dirigindo aos adultos que o escutavam e não a um grupo de crianças. Para os adultos, certamente é necessário o arrependimento antes de se converterem a Cristo e receberem o Batismo. Certamente os bebês, que não tiveram ocasião de pecar, não têm a necessidade de se arrepender. As crianças são recebidas na comunidade cristã e a presença do Diabo sobre elas, devido ao pecado original (o pecado de Adão), é lavada pela água purificadora do Sacramento. (…).

 “Porque, quando ainda estávamos convosco, vos mandamos isto, que, se alguém não quiser trabalhar, não coma também” (2Tessalonicenses 3,10).

Se interpretamos a instrução de São Pedro de arrepender-se antes do Batismo como algo concernente às crianças (ver referência anterior a Atos 2,38), então devemos aplicar o mesmo princípio às advertências de São Paulo, já que ele – tal como Pedro – não exclui aqui especificamente as crianças. Ora, não se pode pedir às crianças recém-nascidas para que trabalhem antes de comer, pois isto resultaria deixá-las morrer de fome. As crianças são tão incapazes de se arrepender como também de trabalhar para o próprio sustento. Não há nenhuma base textual ou lógica para excluir as crianças de um mandamento apostólico e, depois, incluí-las em outro.

 

“No qual também estais circuncidados com a circuncisão não feita por mão no despojo do corpo dos pecados da carne, a circuncisão de Cristo; Sepultados com ele no batismo, nele também ressuscitastes pela fé no poder de Deus, que o ressuscitou dentre os mortos” (Colossenses 2,11-12).

O Batismo é o cumprimento da circuncisão. Os bebês israelitas eram circuncidados no oitavo dia de seu nascimento. Como é possível que o cumprimento deste tipo profético no Novo Testamento seja menos salvífico – e ainda aplicado com restrições de idade – que sua prefiguração no Antigo Testamento?

 “E, depois que foi batizada, ela e a sua casa, nos rogou, dizendo: Se haveis julgado que eu seja fiel ao SENHOR, entrai em minha casa, e ficai ali. E nos constrangeu a isso” (Atos 16,15).

Na Bíblia não se faz menção de nenhuma exceção quando uma família ou “casa” inteira era batizada. Tampouco se faz referência a algum limite de idade, nem de que o batizado tenha de dar seu consciente consentimento. Recordemos ainda que a expressão “sua casa” incluía também os escravos e servos.

 “E, tomando-os ele consigo naquela mesma hora da noite, lavou-lhes os vergões; e logo foi batizado, ele e todos os seus” (Atos 16,33).

Novamente, neste caso não se menciona nenhuma exceção. Considerando o que sabemos sobre a natureza dos núcleos familiares do mundo antigo, não é muito provável que nestes lugares – aqui e no [versículo] citado anteriormente – não houvessem crianças.

 “E traziam-lhe também meninos, para que ele lhes tocasse; e os discípulos, vendo isto, repreendiam-nos. Mas Jesus, chamando-os para si, disse: Deixai vir a mim os meninos, e não os impeçais, porque dos tais é o reino de Deus. Em verdade vos digo que, qualquer que não receber o reino de Deus como menino, não entrará nele” (Lucas 18,15-17).

 Jesus ensina a seus discípulos que as crianças são precisamente a classe de pessoas que pode receber o Reino com seus corações simples e sinceros. Quando proibimos o batismo das crianças, estamos negando a mais explícita das instruções de Jesus: “Deixai vir a mim os meninos”. Como pode ser que o Reino de Deus pertença aos que “são como os meninos” e, no entanto, não se permita a entrada dos meninos pelo Batismo, a primeira porta sacramental que existe para entrar no Reino de Deus? Em João 3,5, Jesus nos diz claramente: “Aquele que não nascer da água e do Espírito, não pode entrar no reino de Deus”. Esta é uma referência bem clara ao Batismo.

 “Porque será grande diante do Senhor, e não beberá vinho, nem bebida forte, e será cheio do Espírito Santo, já desde o ventre de sua mãe” (Lucas 1,15).

Se ninguém pode receber o Espírito Santo sem se arrepender – como a maioria dos protestantes afirma ao negar o Batismo às crianças – se deduz simplesmente que as crianças no útero podem se arrepender, já que lemos na Bíblia que São João Batista foi capaz de receber o Espírito Santo ainda antes de seu nascimento. Esta passagem prova que não é razoável negar o batismo às crianças.

 “Vendo, então, os principais dos sacerdotes e os escribas as maravilhas que fazia, e os meninos clamando no templo: Hosana ao Filho de Davi, indignaram-se; E disseram-lhe: Ouves o que estes dizem? E Jesus lhes disse: Sim; nunca lestes: Pela boca dos meninos e das criancinhas de peito tiraste o perfeito louvor?” (Mateus 21,15-16).

A Igreja tem batizado as crianças desde o princípio. Possuímos o testemunho dos primeiros cristãos, inclusive Orígenes, que escreveu no ano 244 d.C.: “A Igreja recebeu dos Apóstolos a Tradição de conferir o Batismo também às crianças”. Se fosse – como afirmam alguns protestantes – “antibíblico” batizar as crianças, então seria também “antibíblico” deixá-las sem batismo, pois em nenhuma parte da Bíblia é proibido o batismo das crianças. Tampouco encontramos na Bíblia alguma referência à “idade da razão” ou à “idade de consentimento”, a que muitas tradições protestantes aderem quando batizam adolescentes. Como já mostramos outras vezes, a “Sola Scriptura” é freqüentemente um método que leva a conclusões ambíguas. É necessária a Sagrada Tradição – que é a memória da Igreja – para nos levar às práticas apostólicas. De fato, como é possível perder um costume como o Batismo? Que circunstâncias seriam necessárias para que toda a comunidade universal da Igreja esquecesse ou perdesse uma Tradição tão completa? Imaginar que a prática correta do Batismo foi corrompida simultaneamente em todo o orbe cristão é um pensamento que desafia o senso comum…

Todos os artigos disponíveis neste sítio são de livre cópia e difusão deste que sempre sejam citados a fonte e o(s) autor(es).

 Para citar este artigo:

 OATIS, Greg. Apostolado Veritatis Splendor: O BATISMO INFANTIL E AS ESCRITURAS. Disponível em http://www.veritatis.com.br/article/5247. Desde 9/24/2008.

 

 

 

 

 

 

Anúncios

3 Respostas

  1. Parabenizo o site e o autor do artigo, acho engraçado que quando o artigo esta completo ninguem aparece para tentar ridicularizar, tem gente que “usa” os versiculos que quer e os versiculos que explicam suas duvidas eles deixam de lado, so aceitam o que lhes e conivente, que Nossa Senhora Aparecida interceda por cada um deles afim de que na ultima hora como Sao Paulo se arrependam de perseguir os filhos de Deus que Sao da Unica Igreja Fundada Por Nosso Senhos Jesus Cristo e se tornem verdadeiros cristaos.
    Totus Tuus Marie…
    Paz e Bem

  2. O batismo não tem nada ver com a circuncisão.
    Pois a circuncisão vinha da lei mosaica a onde separava o povo de Deus dos pagão.
    O batismo com água não é a marca de separação e sim de arrependimento dos pecados, Como pode uma criança se arrepender do pecado se ela ainda não sabe discernir o certo do errado.
    E todos que iam a João para serem batizado com água eram pessoas que estavam arrependidas dos seus pecados eram pessoas que sabiam o que era pecado.
    Estamos-nos livre da Lei graça a Jesus, Pois não vivemos mais pela Lei e sim pela graça.
    Os apóstolos deixaram bem claro o que deveria ser feito no primeiro concilio.
    Atos 15
    5 Alguns, porém, da seita dos fariseus, que tinham crido, se levantaram, dizendo que era mister circuncidá-los e mandar-lhes que guardassem a lei de Moisés.
    6 ¶ Congregaram-se, pois, os apóstolos e os anciãos para considerar este assunto.
    7 E, havendo grande contenda, levantou-se Pedro e disse-lhes: Homens irmãos, bem sabeis que já há muito tempo Deus me elegeu dentre nós, para que os gentios ouvissem da minha boca a palavra do evangelho, e cressem.
    8 E Deus, que conhece os corações, lhes deu testemunho, dando-lhes o Espírito Santo, assim como também a nós;
    9 E não fez diferença alguma entre eles e nós, purificando os seus corações pela fé.
    10 Agora, pois, por que tentais a Deus, pondo sobre a cerviz dos discípulos um jugo que nem nossos pais nem nós pudemos suportar?
    11 Mas cremos que seremos salvos pela graça do Senhor Jesus Cristo, como eles também.
    12 Então toda a multidão se calou e escutava a Barnabé e a Paulo, que contavam quão grandes sinais e prodígios Deus havia feito por meio deles entre os gentios.
    13 E, havendo-se eles calado, tomou Tiago a palavra, dizendo: Homens irmãos, ouvi-me:
    14 Simão relatou como primeiramente Deus visitou os gentios, para tomar deles um povo para o seu nome.
    15 E com isto concordam as palavras dos profetas; como está escrito:
    16 Depois disto voltarei, E reedificarei o tabernáculo de Davi, que está caído, Levantá-lo-ei das suas ruínas, E tornarei a edificá-lo.
    17 Para que o restante dos homens busque ao Senhor, E todos os gentios, sobre os quais o meu nome é invocado, Diz o Senhor, que faz todas estas coisas,
    18 Conhecidas são a Deus, desde o princípio do mundo, todas as suas obras.
    19 Por isso julgo que não se deve perturbar aqueles, dentre os gentios, que se convertem a Deus.
    20 Mas escrever-lhes que se abstenham das contaminações dos ídolos, da prostituição, do que é sufocado e do sangue.
    Eles resolveram que não era necessário circuncidar crianças e nem guardar a lei.
    Mais que se guardassem da idolatria da prostituição e do que sufocado e do sangue.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: