Mensagem de Natal do Papa Bento XVI – Urbi et Orbi

 25 de Dezembro de 2008 – Praça de São Pedro no Vaticano

NatalMensagem Urbi et Orbi do Papa Bento XVI
 

“Santo é o dia que nos trouxe a luz. Vinde e adorai o Senhor! Hoje uma grande luz desceu sobre a Terra!” 

    

Caros Irmãos e Irmãs!

“Santo é o dia que nos trouxe a luz”. Um dia de grande esperança: nasceu hoje o Salvador da humanidade! O nascimento de uma criança traz normalmente uma luz de esperança para os que ansiosamente a esperam. Quando Jesus nasceu na gruta de Belém, “uma grande luz” apareceu sobre a terra; uma grande esperança entrou no coração dos que O esperavam: “lux magna”, canta a liturgia deste dia de Natal. Não foi certamente “grande” como o mundo pensa, pois os primeiros a vê-la foram só Maria, José e alguns pastores, depois os Magos, o velho Simeão, a profetiza Ana: os que Deus tinha escolhido. No entanto, na humildade e no silêncio daquela noite santa, acendeu-se para cada homem uma luz esplêndida e inextinguível; chegou ao mundo a grande esperança portadora de felicidade: “O Verbo fez-Se carne e […] nós vimos a sua glória” (Jo 1,14).

“Deus é luz – afirma S. João – e n’Ele não há trevas” (1 Jo 1,5). No Livro do Gênesis, lemos que, quando teve início o universo, “a terra era informe e vazia. As trevas cobriam o abismo”. “Deus disse: ‘Faça-se a luz!’. E a luz foi feita” (Gn 1,2-3). A Palavra criadora de Deus – Dabar em hebraico, Verbum em latim, Logos em grego – é Luz, fonte da vida. Tudo foi feito por meio do Logos e sem Ele nada foi feito de tudo quanto existe (cf. Jo 1,3). Eis porque todas as criaturas no fundo são boas, e trazem em si o vestígio de Deus, uma centelha da sua luz.

Porém, quando Jesus nasceu da Virgem Maria, a mesma Luz veio ao mundo: “Deus de Deus, Luz da Luz”, professamos no Credo. Em Jesus, Deus assumiu o que não era permanecendo aquilo que era: “a onipotência entrou num corpo infantil e não se privou do governo do universo” (cf. S. Agostinho, Serm. 184, 1 sobre o Natal). Fez-Se homem Aquele que é o criador do homem para trazer paz ao mundo. Por isso, na noite de Natal, cantam os exércitos do Anjos: “Glória a Deus nas alturas e paz na terra aos homens do Seu agrado” (Lc 2,14).

“Hoje uma grande luz desceu sobre a Terra”. A Luz de Cristo é portadora de paz. Na Missa da Meia Noite a liturgia eucarística iniciou precisamente com este canto: “Hoje desceu do Céu sobre nós a verdadeira paz” (Antífona de Entrada). Mais ainda, só a “grande” luz vinda de Cristo pode dar aos homens a “verdadeira” paz: eis porque cada geração é chamada a acolhê-la, a acolher a Deus que em Belém Se fez um de nós.

Isto é o Natal! Acontecimento histórico e mistério de amor que, há mais de dois mil anos, interpela os homens e as mulheres de cada época e lugar. É o dia santo em que brilha a “grande luz” de Cristo portadora de paz! Certamente, para reconhecê-la, para acolhê-la, é preciso fé, é preciso humildade.
A humildade de Maria, que acreditou na palavra do Senhor e foi a primeira que, inclinada sobre a manjedoura, adorou o Fruto do seu ventre; a humildade de José, homem justo, que teve a coragem da fé e preferiu obedecer a Deus mais que preservar a própria reputação; a humildade dos pastores, dos pobres e anônimos pastores, que acolheram o anúncio do mensageiro celeste e à pressa foram à gruta onde encontraram o Menino recém-nascido e, cheios de maravilha, O adoraram louvando a Deus (cf. Lc 2,15-20). Os pequenos, os pobres em espírito: eis os protagonistas do Natal, ontem como hoje; os protagonistas de sempre da história de Deus, os construtores incansáveis do seu Reino de justiça, de amor e de paz.

No silêncio da noite de Belém, Jesus nasceu e foi acolhido por mãos carinhosas. E agora, neste nosso Natal em que continua a ressoar o feliz anúncio do seu nascimento redentor, quem está preparado para Lhe abrir a porta do coração? Homens e mulheres deste nosso tempo, Cristo vem trazer a luz também a nós, vem dar-nos a paz também a nós!

Mas quem vigia, na noite da dúvida e da incerteza, com o coração desperto e em oração? Quem espera a aurora do novo dia, mantendo acesa a chamazinha da fé? Quem tem tempo para escutar a sua palavra e deixar-se envolver pelo fascínio do seu amor? Sim! É para todos a sua mensagem de paz; é a todos que vem oferecer-Se a Si próprio como esperança certa de salvação.

A luz de Cristo, que vem iluminar cada ser humano, possa finalmente brilhar, e sirva de consolação especialmente para os que vivem nas trevas da miséria, da injustiça, da guerra; para os que ainda se vêem negada à legítima aspiração a uma mais garantida sustentação, à saúde, à instrução, a uma ocupação estável, a uma maior participação nas responsabilidades civis e políticas, livres de qualquer opressão e ao abrigo de condições que ofendem a dignidade humana.

Vítimas de conflitos armados sangrentos, do terrorismo e de violências de todo tipo, que acarretam incríveis sofrimentos a inúmeras populações, são de modo particular as faixas mais vulneráveis, as crianças, as mulheres, os anciãos. Enquanto que as tensões étnicas, religiosas e políticas, a instabilidade, a rivalidade, as contraposições, as injustiças e as discriminações, que dilaceram o tecido interno de muitos Países, exacerbam as relações internacionais. E no mundo cresce sempre mais o número dos imigrantes, dos refugiados, dos desamparados, devido também às freqüentes calamidades naturais, causadas não raro pelos preocupantes desastres ambientais.

Neste dia de paz, o pensamento se dirige sobretudo ali onde ressoa o fragor das armas: às martirizadas terras do Darfur, da Somália e do norte da República do Congo, às fronteiras da Eritreia e da Etiópia, a todo o Oriente Médio, nomeadamente ao Iraque, ao Líbano e à Terra Santa, ao Afeganistão, ao Paquistão e ao Sri Lanka, à região dos Bálcãs, e às outras muitas regiões em crise, infelizmente muitas vezes esquecidas.

O Menino Jesus traga alivio a quem passa pela provação e infunda aos responsáveis de governo a sabedoria e a coragem de procurar e encontrar soluções humanas, justas e duradouras. À sede de sentido e de valor que anela o mundo de hoje, à procura de bem-estar e de paz que aspira a vida de toda a humanidade, às expectativas dos pobres Cristo, verdadeiro Deus e verdadeiro homem, responde com o seu Natal. Não tenham medo os indivíduos e as nações de reconhecê-Lo e de acolhê-Lo: com Ele “uma esplêndida luz” ilumina o horizonte da humanidade; com Ele abre-se um “dia santo” que não conhece ocaso. Este Natal seja verdadeiramente para todos um dia de alegria, de esperança e de paz!
“Vinde e adorai o Senhor!”. À sede de sentido e de valor que hoje o mundo experimenta; à procura de bem-estar e de paz que caracteriza a vida de toda a humanidade; às expectativas dos pobres, Cristo, verdadeiro Deus e verdadeiro Homem, responde com o seu Natal. Não temam os indivíduos e as nações reconhecê-Lo e acolhê-Lo: com Ele, “uma esplêndida luz” ilumina o horizonte da humanidade; com Ele, abre-se “um dia santo” que não conhece ocaso. Este Natal seja verdadeiramente para todos um dia de alegria, de esperança e de paz!

Com Maria, José e os pastores, com os magos e a multidão inumerável de humildes adoradores do Menino recém-nascido que, ao longo dos séculos, acolheram o mistério do Natal, também nós, irmãos e irmãs de cada continente, deixemos que a luz deste dia se propague em o todo lugar; entre nos nossos corações, ilumine e aqueça as nossas casas, traga serenidade e esperança às nossas cidades, dê paz ao mundo.

Estes são os meus votos para vós que me escutais. Votos que se fazem prece humilde e confiante ao Menino Jesus, a fim de que a sua luz dissipe todas as trevas da vossa vida e vos encha do amor e da paz. O Senhor, que fez resplandecer em Cristo a sua face misericordiosa, vos sacie da sua felicidade e vos torne mensageiros da sua bondade. Feliz Natal!

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2 Respostas

  1. È com grande alegria que li o texto do Santo Padre, pois percebi que o desejo de paz e de verdadeira felicidade esta escrito no coração de cada homem e mulher, vivendo no mundo marcado pela fragilidade humana que se autoderminar como o “senhor” das coisas, existe um grito de um representante de Deus , que com a sua voz ja cansada se faz ouvir em todo o universo, que Deus nos ajude a viver esta luz que é o seu filho Jesus nas culturas nas familia, em toda a sociedade e que nós possa redescobrir a beleza de sermos filhos do mesmo Pai, e transformar o mundo novamente no paraiso. um feliz natal a todos os homens de boa vontade.

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